quinta-feira, 18 de março de 2010

Água Insensata.



Ela chega sutil. Nasce da dança das pálpebras dos olhos do céu. Seu movimento deliciosamente pecador a torna herege. Morta, cai por terra.
Lauta e sábia, resolve brincar de ser. Canta em si mesma, engana o céu e se faz em gotas. E faz de conta que é fogo: queima e arde de vontade plasmear. Faz de conta, ainda, que é mulher: se faz bela e encantadora. Por fim, antes de sua aterrissagem, faz de conta que é.
E alegra-se quando vê, a sua espera, a terra seca. E quando enfim pousa, logo a abraça e sente o gosto do beijo de terra molhada.
E depois de brincar de ser fogo e mulher, depois de matar as saudades da terra, logo se faz de tédio e se torna saudades.
Impaciente e sentimental, lembra-se dos tempos em que brincara de ser inocente e celícola gás. Rende-se ao Raio Calor Sol e em malemolência e fraqueza desmaia.
Feliz e irônica, sobe em ascensão aos céus. Resolve novamente brincar de ser. E dança em si mesma, engana a terra e se faz em nuvens. E faz de conta que é água: escorre e grita de vontade condensar. E faz de conta que é criança: se faz pura e doce. E antes de continuar a ser, faz de conta que é ciclo.




G’ Stresser.

Um comentário:

liberdades saborosas