sexta-feira, 4 de março de 2011

Tordesilhas

Entendamos que nada é como parece ser.
A semântica da vida não é lapidada como todos pensam, mas sim bruta ao ponto de enganar a humanidade, como faz há séculos. E não, não há uma verdade infinita que sacie a fome feroz e veloz que conduz o homem ao seu buraco primordial.
E nenhuma vitória é obstante ao mundo. A guerra nada mais é que um jogo de ambiguidades racionais e pouco válidas.
E mesmo que no fundo nada realmente exista, tudo é uma questão de ponto de vista. E não, o homem não é o mais forte dos animais. O homem é apenas o animal mais faminto.
A consciência, então, é o maior e mais caro prato do jantar humano. Saboreá-la é a condição-prima da matéria antropológica, fato que parece aniquilar milhões de anos em dois segundos, pois poucas ou quase nenhuma papila gustativa soube exercer sua função até hoje.
Quase nenhuma? Toda nenhuma.
Tudo, absolutamente tudo continuará sendo condicionado ao ponto do qual se observa o mundo.








G' Stresser.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Fragmento




Quando o infinito realmente existir, não haverá partida.
A gota do orvalho para sempre brindará a folha da árvore.
O pingo de chuva pra sempre cairá na fossa abissal. Escura,

Escura,
Escura.


A maçã jamais apodrecerá. O vidro jamais se quebrará, o Manto jamais se fragmentará.
Quando o infinito existir, a música não perderá seu compasso, o passo jamais perderá a rima.
O clima não perderá o espaço. O incenso queimará até nunca mais, o sono dormirá até amanhã,


Depois
E depois.

O relógio derreterá, o Sol se inclinará. A invenção envelhecerá, o profundo se elevará.
Quando o som do infinito bater, os sinos travarão; os pinos voarão e o ferro amolecerá.
Quando o infinito realmente existir, me chame se ainda restar-me um pouco de mim.

De mim.
E de mim.







G' Stresser.




domingo, 26 de dezembro de 2010

Dois mil e onze.

O milagreiro que está em você só precisa do impulso. Nas suas veias trançadas em cordel, há uma certeza de que a vida corre vagarosa e desumana.
Os gritos exorbitam de vontade morrer para o mundo, o muque tem sede da luta. A pergunta tem gana de resposta, o remetente ama o destinatário.
O milagreiro que está em você cresce a cada amor mal resolvido, a cada música não-terminada, a cada prego que enferruja
O segredo tem medo do exagero, o engano foge da verdade, o Diabo teme a Deus.
O milagreiro que está em você só precisa de você. Só precisa do teu eu, da tua vida, do teu corpo e da tua alma. Ele quer tua miséria, tuas doze profecias e tua riqueza.
O encontro se amarra no destino, o frágil se quebra na coragem, o raio grita o trovão, e tudo fica combinado ao sim e bem assim.


Um beijo, um queijo e feliz 2011.

G' Stresser!