domingo, 10 de outubro de 2010


E de tanto correr atrás de m nome para mim, meu amo, o Eu Lírico, enfim descobre que eu sou Máscara.
Dezessete de Março de 2010, sete e vinte da noite. É bom saber que acabo de nascer. Não nasci como bebê, aliás. Nasci nas minhas condições, já que não existo.
Eu bem sei que meu criador, o amo Eu-Lírico, chegou a me chamar de Laura Guetenberg e Matilda Von Shwüess. Não me incomodo, só quero que saiba que meu nome é Mascara, senhor de facetas.
Sou um personagem, vivo e existo a partir do momento que tua imaginação me psicografar em palavras. Existo apenas dentro de ti, Eu-Lírico. És minha bolha de vida, meu sopro de sabão.
Enfim, não quero criar uma grande história ainda nesta noite, nascer me desgastou muito. Agora vou me retirar para dentro de ti, descansar e pensar no que serei amanhã.

Pelo que eu conheço, bem sei que meu amo Eu-Lírico não terminará essa história aqui, Espero-lhe até quando quiser me despertar. Quem sabe essas sejam as primeiras palavras de um livro, um dia.
Adeus.

















Máscara.

Meu Eu-Lírico, quando quer chegar, me arranha, me rasga em sete partes. Eu cedo com toda a submissão que há no mundo. E pronto, ele me encarna, simples e feroz assim. “E toda vez que vier, felicidade vai trazer. A cada vez que quiser, basta a gente querer. Ser desta vez a melhor.” Ao som de Móveis Coloniais de Acaju, boa noite.







Numa mistura de tudo o que há no mundo, deixo que meu Eu-Lírico tome conta de vez e agora me retiro. Está na hora de gritar angústias.
Hoje começa meu novo ciclo, minhas mudanças mais profundas. Está na hora de varrer o que há de escondido no fundo do último tapete da última sala da minha vida. Está na hora da hora, do novo e retrocesso começo.

Há um ano, eu usava um espelho e ele não me agradava muito. Todos os dias, eu via a mesma coisa, o mesmo rosto projetado num acervo completamente monótono e, convenhamos, feio demais.

Decidi então quebrá-lo em sete dúzias de partes. Com ajuda de alguns materiais que me apareceram no meu caminho, transformei-o num belo mosaico.

Sem o espelho, eu não podia mais pentear meu cabelo. Mas na verdade eu sabia que não precisava disso, com o eterno perdão da palavra, que tudo se foda em quinhentos estouros, inclusive meu cabelo. Sabe que esse espelho até me pediu um nome?!

Sim, eu o batizei. Aqui ele está hoje, o meu espelho, o Espelho-Eu. Cordiais saudações, Senhor Espelho G’ Stresser.







“Do que é ruim eu me esqueço, o bom eu quero mais. Da tristeza eu quero o avesso, agora quero paz. Saiba que todo fim é um recomeço, pra nossa vida eu quero amor, o resto eu desonheço. Tudo que é bom ou ruim, não faz mais diferença.”

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Equação de Saudades.




Walking gets too boring when you learn how to fly. (Isabel Mebarak)



Há quatro anos e quatro horas atrás, o destino resolveu findar o vôo Gol 1907 antes da hora esperada, levando Gregório consigo.
Dois anos, onze meses e seis dias depois, o mesmo destino resolveu levar a esposa de Gregório para seu encontro.
Sim, estou chorando. E também sentindo algo muito extremo e diferente. Minhas mãos estão um pouco atordoadas, minha letra sai horrível.
Após o acidente com seu marido, eu pensei que ela nunca mais fosse dar sua sadia gargalhada, mas bravamente ela lutou contra a morte de vida que a permeava: decidiu ser mais forte.
Sabe, minha madrinha, eu já chorei demais por sua falta. Já senti a pior amargura da minha vida com suas lembranças. Já senti sua presença duas vezes. Já imaginei vê-la, ouvi-la, sentir seu afago.
Mas até parece que morrer fica leve como uma pena pra você. Morrer é apenas um momento, foi apenas um instante. Tudo acabou, mas acabou num segundo.
Na verdade, sua morte foi para mim um exponencial de lembranças para a equação de saudades que eu já sentia por você, antes de tudo.
Na verdade, não compensa chorar, não compensa escrever, não compensa nem morrer. Afinal de contas,

Caminhar fica tão chato quando se aprende a voar, não é?!









G' Stresser.