sábado, 4 de dezembro de 2010

Aprazível Irreprochidez. Um ano. 4500 visitas nacionais e 300 internacionais. 86 seguidores. Três selos. 42 postagens. Obrigado, muito obrigado!


E eu que tenho sempre meia dúzia de “indispensáveis inicialidades” para todos os meus textos, perdi todas as palavras agora. Deixo-me subscrever por um eu - lírico meio embriagado, que sonha há exatamente um ano. Um ano de muita graça, de muitas palavras, caracteres, surpresas, conversas, crônicas e pérolas.

Criar o blog foi mais uma aventura, um fato que me dá até hoje medo, confiança e certeza. Ele está crescendo, tomando rumos expelidos previamente. Minhas palavras não agüentavam mais e decidiram voar. Encontrar a essência da vida e do profundo ainda me gasta tempo e algumas dúzias de devaneios, mas bem sei que isso não se busca, mas se encontra quando menos se espera.

Meu confessionário, meu porto quase seguro e minha voz ativa, que resolveu gritar e gritar e gritar. Mergulhei num mar de audácia em busca de coragem para encarar a Saborosa Liberdade, que às vezes me rasga numa violência drástica e dança dentro de Meu Eu. Liberdade eclética, gnóstica, intrínseca, maravilhosa, risonha, dual.

Transpiro neste momento um sentimento sem nome, uma caixa de mistérios que aos poucos se abre dentro do meu coração. Um continente de gases que aos poucos se espalha, toma as mais diferentes medidas para se adequar Às condições normais de temperatura e pressão. Sôo uma melodia molhada, carregada de noite, vento e tempestade. Carregada de busca que se perde no tempo e espaço.

Resta-me agradecer a todos que sempre me apoiaram e continuam apoiando, fazendo deste blog a vestimenta da minha Alma Escondida, do meu desejo Voador um anjo que deambula por mundos distintos em busca de triunfo.

Obrigado aos leitores e não-leitores. Obrigado à legião de pessoas que se encontram em diferentes raízes e sonhos. Obrigado a quem busca voar alto e fazer das palavras algo mais mágico do que já são. Obrigado aos esperançosos e aos que buscam a Aprazível Irreprochidez!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010



Evoque.
Evoque um pingo de suor onde há trabalho
Evoque uma cabeça onde há um só dente de alho
Evoque quinze fitas do Senhor do Bonfim
Evoque orixás e os traga para mim.
Evoque areias e rendas de Ana’ntonieta.
Evoque milhões onde há uma só faceta.

Evoque uma chuva de vento no teu coração
Evoque um redemoinho que caiba na tua mão.

Evoque desarmonia e conflito.
Concorde qu’eu repito,
Evoque o que há na essência.
Evoque Harmonia, desevoque violência.

Evoque sons afogados nas luzes
Evoque orações a teus Jesuses.

Evoque velas ou as apague.
O que eu digo trate e trague
d’Evocar o desespero do jogo
Evoque também cachoeiras de fogo

Evoquem tuas feridas da vida
Evoquem tuas Marias Sofridas.
Evoquem tuas casas de João de Barro
Evoque meu povo, evoque o que narro.









G' Stresser.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Súplica de Passagem.

Aos milhares de Joões Ninguém que nascem e morrem dentro de nós, a cada dia.

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Não tenho como deixar dinheiro, matéria, coisa assim ou coisa e tal: Entre o bem e o mal, me restou a pobreza. Se por acaso me falta a beleza? Ora, não conheço vaidades. Meia dúzia de verdades e papelões ainda restam na minha casa. Aliás, minha casa sou eu, minha casa mim. Caramujo feito assim, morro hoje com barba asquerosa e nunca feita e um orgulho que até ao viaduto despeita.
Risos pigarreados. Orgulho do quê? Resta-me desgraçadamente apenas um dégradé de vícios e moradias. Com a maior das alegrias, eu, respeitável Conde de Neca de Pitibiriba dormi em mil noites frias e diferentes entre si. Faltaram-me cobertores quentes, em nenhuma família cabi. Morro hoje, mas morro com o triunfo ereto pela graça de ser o que fui, na alegria, na tristeza, nas promessas e nas ruas.
Dou meu teco no último cachimbo e suo os últimos devaneios moribundos. E de todos os vícios vagabundos, o melhor sempre foi lutar contra a verdade de ser mendigo – jogo o cachimbo no chafariz da praça, ele morre instantes antes de mim.
Nos áureos últimos minutos, concluo que aprendi a mergulhar na desgraça. Talvez fosse interessante se criassem uma mãe para entregar o seu filho na hora da morte. Se isso já existe, desconsidere o que eu disse. São meus neurônios que entram em eterno sono, já não mais fortes. Últimos risos pigarreados.
Atenciosamente,

Dom João Ninguém XVI do Condado de Neca de Pitibiriba.


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(Carta encontrada junto ao corpo de um mendigo na Praça da Sé, em 2 de novembro de 2010.)








G’ Stresser.